
Uma brisa fria soprava o corpo da noite e o céu negro comia a lua aos bocados. Sorriso do gato de Alice. Brilho intenso e fulgor singelo. Fitou o horizonte, que tinha desenho de tara, quase convidativo ao abandono absoluto. Nada o permitia esquecer de tudo. Queria as memórias de longe para escolher as que iriam permanecer. Podia abrir mão de todas para amenizar a angústia. Vivia o avesso de seu desejo.
Recordava o passado mais que presente vivo e exato. Evocava lembranças compulsivas e desnecessárias. Sintomas cognitivos de hipermnésia total e permanente. O ontem tinha nomes, datas, números e vontades de hoje. Em cada canto da visão suas lembranças. Nos casacos do armário, nos livros, filmes da prateleira e nas mesas de saquê, vinho e chá de hortelã que acompanhavam cigarros feitos a mão. Nas fotos clicadas no hipotálamo e no movimento lento do ir e vir dos dois em harmonia. Arco rígido do violino roçando as cordas do seu corpo. Escândalo da música e a música dos gemidos altos. Emoções, sexo, fome, sede e temperatura. Não podia esquecer. O tempo herdado não era passado.
Como tudo aquilo acontecia? De que forma ela se tornou permanente? Jogou no lixo e deletou tudo que podia na esperança de esquecer. Desesperou. Calma. Eram perguntas sem resposta, que poderiam se transformar numa luta vã, não fossem conscientemente não respondidas. Apenas o sentido, a vontade de ter e ver, e a natureza conjurando a favor da saudade. Estaria perdendo a sanidade?
Forçou-se a despedaçar seu eu, deixando ali a brisa fria e a depravação dos olhos que misturavam afeto, carinho, paixão, fascínio, tesão, confidência, respeito, admiração e dependência. Todos obstinados a fazê-lo doente, não esquecer nem por um segundo.
Recordava o passado mais que presente vivo e exato. Evocava lembranças compulsivas e desnecessárias. Sintomas cognitivos de hipermnésia total e permanente. O ontem tinha nomes, datas, números e vontades de hoje. Em cada canto da visão suas lembranças. Nos casacos do armário, nos livros, filmes da prateleira e nas mesas de saquê, vinho e chá de hortelã que acompanhavam cigarros feitos a mão. Nas fotos clicadas no hipotálamo e no movimento lento do ir e vir dos dois em harmonia. Arco rígido do violino roçando as cordas do seu corpo. Escândalo da música e a música dos gemidos altos. Emoções, sexo, fome, sede e temperatura. Não podia esquecer. O tempo herdado não era passado.
Como tudo aquilo acontecia? De que forma ela se tornou permanente? Jogou no lixo e deletou tudo que podia na esperança de esquecer. Desesperou. Calma. Eram perguntas sem resposta, que poderiam se transformar numa luta vã, não fossem conscientemente não respondidas. Apenas o sentido, a vontade de ter e ver, e a natureza conjurando a favor da saudade. Estaria perdendo a sanidade?
Forçou-se a despedaçar seu eu, deixando ali a brisa fria e a depravação dos olhos que misturavam afeto, carinho, paixão, fascínio, tesão, confidência, respeito, admiração e dependência. Todos obstinados a fazê-lo doente, não esquecer nem por um segundo.