
Personagens de uma história que ainda estava na orelha do livro recém aberto. A noite contribuía e as estrelas renderam olhares trocados e vontades cujas tentativas de encobrir as tornavam mais evidentes. Ela confessou saber.
Desejo. Tesão freqüente a cada língua e abraço constrito. Beijo afogado, molhado, salgado. Não dava para ficar muito tempo longe daquela boca cheia de sorrisos e contos de uns 30 anos. Uniram com cola.
A temperatura de quase inverno trazia na névoa da boca instintos de prazer primitivo. Agarrou o corpo dela pelo braço e com o tato das palmas e das pontas dos dedos sentiu o branco da pele corar com o passeio da barba pelo pescoço. Eriço ofegante.
Ansiedade dobrada e dividida em sessenta miligramas. Vinte para ele, quarenta para ela. Passeio na rua do meio, flores que se fechavam à noite, espelho de mar. Precisavam dormir.
Mais noite, mais dia. Caminharam sobre a água e seguiram juntos desde o nascer no leste até o poente no oeste. Universo de conjunções e gostos complementares. Fazer coisas de um a dois e aprender dinâmicas sem esforço. Fluir. Não queriam ir. Retorno duro para a babilônia com o manto do mesmo céu da despedida.
Com ela tatuada na retina, na manhã de sol da cidade abriu a janela para tentar ver o mar, e tudo que conseguiu enxergar foram os olhos dela dizendo que não queria ir embora daqueles dias.
Tremeu com surpresa e procurou algo para explicar. Terapia cognitiva. Uma palavra, uma imagem. Como os selvagens antes de escrever pintou, mas nem com o desenho feito na rocha com tinta carmim conseguiu explicar o nome disso.